“La Valse d’Amelie”

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Escrever?

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Em um instante, entre o dever da escrita e a chegada da inspiração, eis que recorro ao imenso mundo, ilimitado, procurando pelo óbvio, como se já não soubesse que, assim como o amor, a inspiração da escrita chega requerendo atenção, quase dengosa e egoísta. Como um amor, a escrita precisa sentir-se necessária, querida. Ainda não… Busco, em “voz alta”, por “inspiração para escrever”, como um silente recurso, endereçando a quaisquer “alguéns”, online. E espero por ecos aparentemente autônomos. Entre muitos, fez bem o que sinalizou dez possíveis fontes: ter um caderno de escrita, sair da rotina, observar pessoas, ler, ler e ler, ver um filme, fazer exercício físico, buscar inspirações em colegas, citações, ouvir música, passear ao ar livre e acessar a internet. Bem…

Humanos.

Voltei a escrever. Lembro-me que sou inteira. Que risco é ser inteira diante do mundo dos bons, dos maus e dos humanos. Que venham os humanos. Certa feita li dizeres de Pessoa sobre a inteireza. Disse em público. Disse da fundamentalidade da inteireza, mesmo em partes. Quanto a mim, todas as partes em mim são inteiras, se não dissociadas do meu eu fundamental. Aquele que faz cócegas na vida, mesmo com toda a seriedade. É que “Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.” Significa que o eu reflete-se em um contexto que desejou, admirou, autorizou-se a estar e fazer-se inteiro. Silêncio, grandiosidade. Redescubra-se. Redescubro-me. Que eu não perca a inteireza, mesmo com a praticidade do dia.